terça-feira, 16 de outubro de 2012

A origem da Caipirinha



Um sábado de calor, aquela mesa farta de feijoada, boa música, companhia agradável. Tudo ao brinde de uma boa caipirinha. O drinque que hoje rega comemorações nacionais e caiu no gosto dos gringos já foi usado como remédio caseiro. No início do século XX, precisamente em 1918, a mistura de cachaça, limão, mel e alho era consumida no Brasil para amenizar os efeitos da Gripe Espanhola. “O limão era utilizado na receita por conta de sua Vitamina C e o álcool era aplicado para acelerar os efeitos terapêuticos do medicamento”, explica Jairo Martins, sommelier de cachaça e escritor do livro “Cachaça: o mais brasileiro dos prazeres” (2006).


Martins afirma que, naquela época, muitas das cachaças eram produzidas no interior de São Paulo, sobretudo na região de Piracicaba. Em seguida, o produto passou a desembarcar no porto de Santos. Foi então que aquele tal remédio caseiro recebeu seu simpático nome. O “caipirinha” era usado em alusão à origem de um dos ingredientes mais marcantes, a aguardente de cana. 


A explicação relacionada à Gripe Espanhola é a mais provável, de acordo com o sommelier de cachaças. Mas não faltam versões para contar como nasceu a queridinha brasileira. Uma das teorias, por exemplo, defende que marinheiros de navios estrangeiros inventaram a mistura. Ao atracar no porto de Paraty, eles ingeriam cachaça com limão para prevenir o escorbuto, doença provocada pela falta de Vitamina C no organismo.


O batismo da caipirinha foi prosseguido por um período de consagração da cultura nacional, marcado em São Paulo pela Semana de Arte Moderna de 1922. O evento buscava alinhar as artes brasileiras às vanguardas europeias. A bebida foi então abraçada pelos intelectuais modernistas como um símbolo da cultura gastronômica nacional. Finalmente o Brasil tinha um drinque para chamar de seu. “A caipirinha foi usada como uma espécie de protesto. Mais tarde, a pintora Tarsila do Amaral e o escritor Oswald de Andrade, modernistas, levaram a tradição até Paris”, afirma Martins.

Em 2003, a bebida foi juridicamente consagrada num decreto presidencial com o objetivo de regulamentá-la como típica do Brasil. Assim, foi possível evitar que ela corresse o risco de ser patenteada por empresas estrangeiras. Hoje, o drinque aparece da seguinte forma: “bebida com graduação alcoólica de quinze a trinta a seis por cento em volume, a vinte graus Celsius, elaborada com cachaça, limão e açúcar, poderá ser denominada de caipirinha (bebida típica do Brasil), facultada a adição de água para a padronização da graduação alcoólica e de aditivos”. 



Fonte:  Revista Casa & Jardim

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